colchão de Água

terça-feira, abril 25, 2006

25 de Abril, sempre?

Há 32 anos a populaça saiu à Rua para comemorar o final da dita "ditadura", e cheio de esperança na melhoria das suas condições de vida e numa sociedade mais justa.
Na verdade, e graças ao contributo da esquerda caviar, nada se alterou. As desigualdades sociais aumentam, mais de 2 milhões de Portugueses auferem rendimentos mensais inferiores ou iguais ao salário mínimo nacional, a denominada classe média recebe cerca de 1000 Euros/ mês (será que existe classe média em Portugal???), a riqueza do país concentra-se em Lisboa e Porto, e a justiça vai de mal a pior.
Quanto a esta matéria, tenho que dizer que me assusta ver a falta de nível e de preparação dos candidatos a Juízes e a Procuradores do Ministério Público que anualmente são seleccionados pelo Centro de Estudos Judiciários. Já não bastava os já existentes? Alguns dos quais em tribunais superiores, incapazes de julgar de forma justa e com falta de dentição... De notar, que tal me foi relatado antes da passagem desta classe profissional para o Sistema Nacional de Saúde.
E a classe politica? Cada vez menos preparada, fruto dos aparelhos partidários, onde se sobe não pelo mérito, mas pelo jogo das conveniências, e sabe-se lá o que mais...
Em 2005, pediram-se sacrifícios até 2007, com o aumento dos impostos, no combate ao deficit, mas a verdade é que nada melhorou... A receita fiscal aumentou, mas a despesa não foi controlada, e o resultado é: Aumentou o deficit, e, ao que dizem os especialistas, a denominada retoma da económia só acontecerá lá para 2010.
Tenho pena de viver num país sem futuro, e de todos aqueles que desfilaram pelas ruas em 25 de Abril de 1974, por mim, e se assim Deus me ajudar, espero amealhar o suficiente para ir viver o mais rapidamente possivel para outro pais... Cada vez mais me entristece o status quo e nem quero imaginar o que ai vem.

terça-feira, abril 11, 2006

Get a job

Num pais em que faltam quadros superiores, abundam gajos que insistem em tirar licenciaturas em humanísticas. Sociologos, professores, filosofos, antropologos e advogados pululam por aí em busca de um lugar ao sol. É vê-los em filas nos centros de emprego a requerer o subsídio de desemprego...
As minhas perguntas ao internauta são:
(a) Porque é que ninguém os avisou de que o curso escolhido não tinha saídas profissionais?
(b) Uma vez que se apresentam para receber o subsídio de desemprego, será que podemos responsabilizar os vários ministros da educação e ensino superior por falta de aviso?
(c) Será que ainda acham que é com mestrados ou doutoramentos nessas áreas que vão alcançar o tal lugar ao sol?
(d) Para quê perder mais tempo, se em Africa não faltam lugares para professores, sociologos, ou antropologos...?
Já quanto aos filosofos, talvez o melhor seja tirarem um curso tecno-profissional, faltam canalizadores (picheleiros em tripeiro), marceneiros, electricistas, e cantoneiros... ou então sonharem com a tal revolução filosófica.

Princesa da Granja e quiça do Reino dos Algarves

Está quase a chegar ao fim a relação de trabalho de 4 anos com a princesa da Granja. Não sei como vou reagir no dia em que encontrar vazia a sua secretária... Anda excitadíssima a arrumar as pilhas acumuladas ao longo destes anos, e até já apareceu um jornal amarelecido do dia em que Portugal derrotou a Inglaterra no Euro 2004 – 24 de Junho de 2004.
Ainda me lembro do seu primeiro dia... Tímida, calada, corava facilmente sempre que alguém lhe dirigia a palavra.
De repente tudo mudou, e passou a ser a pessoa mais extrovertida que algum dia conheci. Passámos a ter conversas de adultos, a maior parte das vezes com uma componente ordinária bastante elevada. Ordinária mas sempre com nível, porque afinal quem pode, pode…
Revelou também ser a pessoa mais apaixonada que algum dia conheci, afinal é por amor ao seu Tambore que vai viver para o Reino dos Algarves. Vai ser ainda mais feliz do que já o é, se tal ainda é possivel. Os Tambores divertem-se juntos como ninguém.
Por diversas vezes assumiu o papel de conselheira sentimental, confesso que nem sempre com muito sucesso. Conselhos nem sempre fáceis de seguir, afinal Tambores só há uns, a Isabel e o Júlio... Com ela planejei os episódios mais românticos da minha vida.Sinto-me privilegiado por ter passado tantas horas com ela, mesmo nos momentos de forte stress e cansaço, revelou-se sempre companheira e amiga. Conhecemo-nos tão bem, que basta um olhar para perceber se o outro está num bom ou mau dia.
Perco uma "colega", mas mantenho uma amiga. Já sinto saudades de como me divertia nos dias de ressaca.
Obrigado por tudo!

segunda-feira, abril 10, 2006

Coisas que não consigo perceber...

Porque é que todas as miúdas que são do Sporting, sabem as músicas das claques, entoando-as como que se estivessem à volta de uma fogueira, no acampamentos de "Escutas"?

E lá se passou mais um fim de semana...

Após um fim de semana carregado de fortes emoções desportivas para outros que não eu, várias questões merecem alguma reflexão:

(a) Deverei pedir a nacionalidade italiana?

(b) Será que me transformei num elitista?

Sábado à tarde, sentado numa esplanada à beira mar, perto do Estoril, fui, por breves instantes, ligeiramente incomodado com a presença de um paneleiro de “alta cilindrada”.
Eu que até nem me importo que eles existam, desde que longe de mim, enquanto lia os jornais do dia, nomeadamente as noticias relativas à campanha eleitoral italiana, ouvia sem qualquer interesse a conversa telefónica do individuo, o qual desfiava o seu rosário de problemas sentimentais sabe-se lá com quem.
Acabei por resolver o problema ao atender a chamada de um amigo heterossexual com a saudação “Então maricón…, estás bom? Foi remédio santo, deixei de ser “ligeiramente incomodado”, e pude-me rir sem censura de expressões como “antes neofascista do que paneleiro”, etc.

A propósito da campanha eleitoral italiana, tenho que manifestar a minha admiração por quem tem a coragem de dizer aquilo que pensa, usando do direito à liberdade de expressão que, embora reconhecido internacionalmente, tantas vezes é coarctado pelo “politicamente correcto”.

Não admirando particularmente a coligação liderada por Berlusconi, admiro a coragem e a frieza dos parceiros de coligação ao dizerem que em vez de perder tempo a discutir as uniões de facto homossexuais, é tempo de concentrar forças na resolução dos problemas que realmente interessam à população italiana, incluindo aos membros da comunidade Gay.

Sábado à noite, encontrava-me num conflito pessoal, não sabia quem apoiar.
De um lado, estava a lagartagem, com a mania de que são moralmente superiores num desporto chamado “futebol”. Irritam-me os seus dirigentes, cheios de brilhantina, que têm “de” e “e” nos nomes,.

Do outro estava a cambada, de energúmenos regionalistas, que não aceitam com naturalidade o facto de serem a segunda cidade de um pais subdesenvolvido chamado Portugal. Se querem ter salários mais elevados, revoltem-se contra o pseudo tecido empresarial nortenho, que enriquece de ano para ano à sua custa, pavoneando-se pelas estradas ao volante de Porches e Ferraris.

Mas é mais fácil gritar “nós só queremos Lisboa a arder, e prestar vénia à chamada “alta sociedade portuense”…etc, do que lutar pelo seu próprio bem-estar.

Feito este à parte, volto ao futebol. Ao fim de 15 minutos de jogo, já não suportava os cânticos de apoio à largatagem, os quais me fizerem lembrar os entoados em acampamentos de escuteiros por mim nunca frequentados.

Mas mais importante que um jogo entre a segunda e a terceira equipa deste pequeno pais à beira mar plantado, foi ter chegado rapidamente à conclusão que estava rodeado de uma malta muito exótica…

Senão vejamos, o dono do restaurante tinha a aparência e a postura de um “nómada” que às 5.ªs vende o seu stock em Carcavelos e aos domingos agarra na sua tenda e desloca-se para Cascais.

Como se não bastasse, dei por mim a ter que ouvir conversas desprovidas de qualquer conteúdo, com pseuso- superioridade literária, cruzadas com expressões como “escuta” e “todo o mundo sabe”. Para quê tanto esforço, se bastaria um “vamos foder?”

segunda-feira, abril 03, 2006

In my solitude you haunt me with reveries of days gone by.
In my solitude you taunt me with memories that never die.