E lá se passou mais um fim de semana...
Após um fim de semana carregado de fortes emoções desportivas para outros que não eu, várias questões merecem alguma reflexão:
(a) Deverei pedir a nacionalidade italiana?
(b) Será que me transformei num elitista?
Sábado à tarde, sentado numa esplanada à beira mar, perto do Estoril, fui, por breves instantes, ligeiramente incomodado com a presença de um paneleiro de “alta cilindrada”.
Eu que até nem me importo que eles existam, desde que longe de mim, enquanto lia os jornais do dia, nomeadamente as noticias relativas à campanha eleitoral italiana, ouvia sem qualquer interesse a conversa telefónica do individuo, o qual desfiava o seu rosário de problemas sentimentais sabe-se lá com quem.
Acabei por resolver o problema ao atender a chamada de um amigo heterossexual com a saudação “Então maricón…, estás bom? Foi remédio santo, deixei de ser “ligeiramente incomodado”, e pude-me rir sem censura de expressões como “antes neofascista do que paneleiro”, etc.
A propósito da campanha eleitoral italiana, tenho que manifestar a minha admiração por quem tem a coragem de dizer aquilo que pensa, usando do direito à liberdade de expressão que, embora reconhecido internacionalmente, tantas vezes é coarctado pelo “politicamente correcto”.
Não admirando particularmente a coligação liderada por Berlusconi, admiro a coragem e a frieza dos parceiros de coligação ao dizerem que em vez de perder tempo a discutir as uniões de facto homossexuais, é tempo de concentrar forças na resolução dos problemas que realmente interessam à população italiana, incluindo aos membros da comunidade Gay.
Sábado à noite, encontrava-me num conflito pessoal, não sabia quem apoiar.
De um lado, estava a lagartagem, com a mania de que são moralmente superiores num desporto chamado “futebol”. Irritam-me os seus dirigentes, cheios de brilhantina, que têm “de” e “e” nos nomes,.
Do outro estava a cambada, de energúmenos regionalistas, que não aceitam com naturalidade o facto de serem a segunda cidade de um pais subdesenvolvido chamado Portugal. Se querem ter salários mais elevados, revoltem-se contra o pseudo tecido empresarial nortenho, que enriquece de ano para ano à sua custa, pavoneando-se pelas estradas ao volante de Porches e Ferraris.
Mas é mais fácil gritar “nós só queremos Lisboa a arder, e prestar vénia à chamada “alta sociedade portuense”…etc, do que lutar pelo seu próprio bem-estar.
Feito este à parte, volto ao futebol. Ao fim de 15 minutos de jogo, já não suportava os cânticos de apoio à largatagem, os quais me fizerem lembrar os entoados em acampamentos de escuteiros por mim nunca frequentados.
Mas mais importante que um jogo entre a segunda e a terceira equipa deste pequeno pais à beira mar plantado, foi ter chegado rapidamente à conclusão que estava rodeado de uma malta muito exótica…
Senão vejamos, o dono do restaurante tinha a aparência e a postura de um “nómada” que às 5.ªs vende o seu stock em Carcavelos e aos domingos agarra na sua tenda e desloca-se para Cascais.
Como se não bastasse, dei por mim a ter que ouvir conversas desprovidas de qualquer conteúdo, com pseuso- superioridade literária, cruzadas com expressões como “escuta” e “todo o mundo sabe”. Para quê tanto esforço, se bastaria um “vamos foder?”

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